Lucca Herzog
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Após realização da exposição que resgatou a obra e a história da artista Regina Simonis, a Associação Pró-Cultura em Santa Cruz do Sul estabelece agora uma parceria com a equipe do Acervo Artístico da Pinacoteca Barão de Santo Ângelo, do Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). O objetivo é a execução do projeto Acervo Regina Simonis: Catalogação e Difusão, que pretende conservar de uma forma mais adequada – e com auxílio da tecnologia digital – toda a riqueza da produção da pintora santa-cruzense.
“Estamos aqui reconhecendo e institucionalizando toda essa memória, porque ela deixou marcas”, ressaltou Carol Knies, presidente da associação mantenedora da Casa das Artes Regina Simonis. “Com este trabalho, pesquisadores de qualquer lugar poderão vir até aqui e ter acesso a todo o nosso acervo”, avisou.
Com a intenção de aumentar a visibilidade e o alcance da obra da santa-cruzense Regina Simonis (1900-1996), uma equipe de quatro bolsistas da Pinacoteca Barão de Santo Ângelo (PBSA) vem realizando, desde terça-feira, 25, um trabalho de catalogação completa do acervo, sob supervisão e acompanhamento da professora doutora Paula Ramos. Ela é a coordenadora da PBSA e calcula que são cerca de 100 obras, entre desenhos e pinturas.
“Tem desenhos de gessos que sequer existem mais”, relatou Paula, sem esconder seu encanto pela riqueza do acervo. A coordenadora explicou que as obras são separadas e classificadas conforme estilo, técnicas, medição, datação e assinaturas, e ordenadas entre desenhos iniciais, estudos de reprodução de esculturas de gesso e representações de figuras humanas. Ainda segundo a professora, muitas das pinturas estavam acondicionadas em pastas plásticas, o que, para ela, não é a forma mais adequada de conservação. Agora, um papel especial de restauração armazenará as pinturas.
Orientadas por Paula Ramos, as alunas dos cursos de Artes da UFRGS realizam o trabalho de identificação e catalogação. A estudante Sofia Kerr, que cursa Artes Visuais, revelou que o grupo já tem um contato e experiência na área de catalogação, o que facilita e qualifica o trabalho. “Esta catalogação é muito importante para nós, porque a Regina Simonis estudou na UFRGS, e tem uma relação com o Instituto de Artes. E também porque estamos resgatando essa história de ex-alunos de lá”, enfatizou.
Com o auxílio da plataforma virtual Tainacan, criada por pesquisadores brasileiros, a catalogação estará disponível para acesso público no site da Associação Pró-Cultura, garantindo a difusão dos resultados da atividade. O catálogo digital oportunizará acesso a novos projetos e desdobramentos, além do próprio registro do acervo e do incentivo à valorização do patrimônio cultural de Santa Cruz do Sul.
A artista e o espaço
Regina Simonis dá nome à Casa das Artes de Santa Cruz do Sul. Sua trajetória de vida dedicada à arte, à religiosidade e às flores, bem como seu legado, registrado em cada obra, foram recentemente tema do projeto Regina Simonis: Vida e Obra, resultado do Edital Sedac/LPG 11/2023 – Pesquisa, Registro e Memória, realizado com recursos da Lei Complementar 195/2022.
Isso oportunizou a retomada e a pesquisa em torno da artista, o início da catalogação e do acondicionamento de algumas obras e a realização da mostra homônima, com suas respectivas ações de ativação e acessibilidade. Em uma iniciativa inédita da Associação Pró-Cultura, que há 30 anos é a mantenedora da Casa das Artes Regina Simonis, o projeto foi idealizado com o objetivo de institucionalização da produção da artista santa-cruzense.